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Conheça a história de Léa Campos, primeira árbitra de futebol do mundo!

Conheça a história de Léa Campos, primeira árbitra de futebol do mundo!

Horário Publicado 19/05/2020

O ano era 1967. Léa Campos, então com 22 anos, resolveu deixar os concursos de beleza para se aventurar no futebol.

Na ocasião, Léa Campos possuía o título de Rainha do Carnaval de Belo Horizonte. Ela também ostentava outros títulos, como Rainha do 1º Regimento de Infantaria do Exército, Miss Fotogênica, entre outros.

Apaixonada por futebol, Léa resolveu se inscrever num curso de árbitros da Federação Mineira. Sua participação no curso causou um grande alvoroço e logo virou assunto em Belo Horizonte.

A então aspirante à árbitra de futebol chegou a declarar que, se apitasse um Cruzeiro e Atlético e precisasse expulsar o craque Tostão, não vacilaria nem por um segundo.

Ela, no entanto, nunca escondeu que era torcedora do Cruzeiro.

NAS MÃOS DA FIFA

Por se tratar de uma atitude inédita, a Federação Mineira de Futebol (FMF) resolveu consultar a FIFA para saber se Léa Campos poderia ser inscrita no quadro de árbitros da entidade.

A informação foi noticiada pelos jornais da época, que afirmaram que uma carta seria redigida pela FMF com destino à entidade máxima do futebol nacional. Marcel Debrot, dirigente da FMF na época, foi o responsável por levar a carta até a FIFA.

PRECONCEITO QUASE ACABOU COM O SONHO DE LÉA

Léa Campos precisou lidar com preconceito oriundo de todos os lados, até mesmo de outras mulheres. Um grupo de mineiras chegou a organizar um abaixo assinado para tentar impedir a nomeação de Léa como árbitra de futebol.

Cartunistas da época utilizaram seus espaços nos jornais para ridicularizar a tentativa de Léa Campos. Muitos desenhos mostravam os homens desorientados em campo por conta de uma presença feminina.

JOÃO HAVELANGE FOI CONTRA

O então presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, alegou que Léa Campos não poderia ser árbitra porque a estrutura óssea feminina era inferior à do homem.

A negativa do representante máximo do futebol brasileiro serviu como incentivo para Léa, que procurou diversos médicos por conta própria para conseguir provar que o argumento de João Havelange era falso. Ela conseguiu.

O presidente da CBD apelou! Chegou a argumentar até mesmo que a menstruação feminina atrapalharia o desempenho de uma mulher em campo. Afirmou, inclusive, que nenhuma mulher apitaria uma partida de futebol enquanto ele fosse presidente da CBD.

DIPLOMA FOI DADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Focada em seu objetivo, Léa Campos ignorou a recusa de João Havelange e resolveu tentar o impossível: recorreu ao presidente da república para que a FMF outorgasse seu diploma.

O ano era 1972. O Brasil vivia o regime militar e na época era comandado por Emílio Garrastazu Médici, General do Exército brasileiro e Presidente da República.

Léa conseguiu marcar uma reunião com Médici. Foi à Brasília decidida a convencê-lo de que poderia, sim, apitar partidas de futebol.

Médici deu seu veredicto: obrigou a CBD a incluir Léa Campos em seu quadro de árbitros.

A notícia foi dada em primeira mão pelo jornalista Paulo Roberto, da Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. A partir desse momento, a Federação Mineira de Futebol foi obrigada a reconhecer Léa Campos como árbitra diplomada.

CARREIRA DE SUCESSO, PORÉM CURTA

Léa Campos apitou partidas em todo o Brasil. Ela mesmo procurava as federações estaduais para oferecer seus serviços. Conseguiu apitar partidas na Bahia, São Paulo, Piauí, Rio Grande do Sul, Minas Gerais etc. Sua ascensão meteórica a levou para a Europa. Apitou partidas na França, Holanda, Espanha e Portugal.

Sua passagem pelos gramados, no entanto, terminou de forma trágica dois anos depois de iniciar sua carreira de árbitra de futebol.

Um acidente automotivo comprometeu suas pernas e fez com que Léa Campos ficasse impossibilitada de apitar. 

Ela, no entanto, não deixou de militar pela presença feminina nos estádios. 

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